André Paiva: Responsável de Informática e Operações Tecnológicas do Millennium Estoril Open desde 2015
O que começou como uma missão de três dias para prestar suporte a utilizadores e instalar impressoras transformou-se numa colaboração contínua com um dos principais torneios de ténis realizados em Portugal.
Desde 2015, André Paiva é responsável pelo planeamento, coordenação e acompanhamento da operação tecnológica do Millennium Estoril Open. Uma experiência construída no terreno que esteve na origem da sua carreira na tecnologia para eventos e, mais tarde, da criação da Do IT Happen.
“Se tivesse de resumir esta ligação numa palavra, seria orgulho.”
De uma missão de três dias a uma responsabilidade contínua
A ligação de André Paiva ao Millennium Estoril Open começou em 2015, no ano em que Portugal recebeu novamente um torneio ATP 250.
Na altura, André trabalhava como freelancer para a Futurdata. A missão inicial consistia em prestar suporte aos utilizadores e instalar impressoras durante os três dias anteriores ao evento.
No último dia de montagens, um elemento da organização convidou-o a permanecer no torneio para acompanhar a área de informática.
O que deveria ser uma intervenção pontual transformou-se no início de uma colaboração contínua, mantida em todas as edições realizadas desde então.
A dimensão do evento colocou-o perante necessidades muito diferentes. Organização, ATP, imprensa, jogadores, produção, sponsors e parceiros tecnológicos dependiam de sistemas e ligações com níveis distintos de prioridade e criticidade.
Nos primeiros anos, muitos pedidos surgiam já durante o evento. A resposta exigia capacidade para avaliar prioridades, compreender o impacto de cada situação e coordenar rapidamente a solução com as equipas certas.
“O Millennium Estoril Open foi o virar de uma página e o início de uma carreira da qual me orgulho.”
O ponto de ligação entre a organização e a operação tecnológica
Atualmente, André Paiva é o Responsável de Informática e Operações Tecnológicas do Millennium Estoril Open.
A sua função consiste em planear, coordenar e supervisionar as infraestruturas e soluções informáticas necessárias ao funcionamento do torneio.
É também o principal ponto de contacto entre a organização e o fornecedor responsável pela internet e comunicações no recinto.
O trabalho passa por compreender as dinâmicas das diferentes áreas, recolher requisitos, avaliar a viabilidade das necessidades apresentadas e transformá-las em implementações concretas.
A operação tecnológica serve quatro áreas fundamentais:
- ATP;
- Imprensa;
- Produção;
- Recinto.
Cada área apresenta necessidades próprias de conectividade, segurança, disponibilidade, localização e suporte.
Além da organização e do fornecedor tecnológico, André articula necessidades com a ATP Media, equipas de transmissão, operadores técnicos, segurança, sponsors e entidades responsáveis por ativações e serviços no recinto.
A experiência acumulada faz com que muitos destes parceiros o contactem diretamente antes e durante o evento.
Mesmo quando uma questão não pertence diretamente à sua área, André é frequentemente chamado para identificar a equipa certa, encaminhar o pedido e agilizar a respetiva resolução.
Uma operação que começa meses antes do torneio
A preparação tecnológica começa normalmente entre três e quatro meses antes do evento.
Nesta fase são analisadas as plantas do recinto, as necessidades da organização, os requisitos da ATP e da imprensa e os pedidos dos parceiros e sponsors.
A partir da planta são planeadas as localizações de bastidores técnicos, switches, pontos de acesso Wi-Fi, impressoras e restantes equipamentos.
A componente operacional no recinto começa entre duas e três semanas antes da abertura do torneio.
Durante este período são acompanhadas as montagens, instaladas as infraestruturas, configuradas as redes e realizados testes aos diferentes serviços.
O trabalho só termina após a desmontagem dos equipamentos, redes, impressoras e sistemas de comunicação, normalmente até dois dias depois do final do torneio.
Uma infraestrutura preparada para milhares de dispositivos
Na edição de 2026, estiveram ligados às redes privadas do Millennium Estoril Open mais de 4.000 dispositivos diferentes.
Só na rede OFFICE, utilizada pela organização e pela produção, foram registados mais de 140 dispositivos distintos.
Este volume exige muito mais do que disponibilizar acesso à internet.
É necessário compreender quem utiliza cada ligação, qual a função do equipamento, que nível de disponibilidade é necessário e qual poderá ser o impacto de uma interrupção.
Uma ligação destinada a uma equipa de imprensa, a um serviço ATP, a um sistema de segurança ou a uma ativação no recinto pode ter exigências completamente diferentes.
O trabalho de André consiste em organizar estas necessidades, definir prioridades e garantir que a infraestrutura foi preparada para responder às diferentes realidades.
Prevenir antes de ser necessário resolver
A prevenção é um dos princípios centrais da abordagem de André Paiva.
Há vários anos, durante a preparação dos requisitos técnicos, solicitou que os principais bastidores fossem protegidos por sistemas UPS.
Esta decisão permitiu reduzir o impacto de problemas ocorridos nos geradores e de falhas temporárias de energia.
As UPS garantem aproximadamente 15 a 30 minutos de autonomia, evitando que uma interrupção elétrica provoque a perda imediata das comunicações e dando tempo às equipas para restabelecer a alimentação.
A rede foi também planeada com uma topologia em anel e caminhos redundantes.
Se existir uma falha num determinado ponto ou percurso, a conectividade pode continuar a ser assegurada através de outro bastidor e de outro caminho da rede.
Esta arquitetura não elimina todos os riscos relacionados com energia, mas reduz significativamente o impacto de uma falha localizada.
“Sempre preferi prevenir a ter de remediar. Num evento desta dimensão, uma decisão tomada meses antes pode evitar um problema crítico durante o torneio.”
Menos cablagem, montagens mais rápidas e uma operação mais eficiente
Uma das maiores evoluções operacionais foi o aproveitamento da fibra do fornecedor tecnológico para criar ligações ponto a ponto entre diferentes zonas do recinto.
Anteriormente, vários serviços instalavam a sua própria cablagem para ligar os equipamentos localizados em zonas distintas.
A utilização planeada da fibra existente passou a permitir suportar diferentes operações através de uma infraestrutura comum.
Esta solução é utilizada, entre outros exemplos, para:
- Sistemas de CCTV;
- Distribuição de conteúdos e jogos em direto nas zonas públicas;
- Ligações utilizadas pelos scoreboards;
- Comunicações entre zonas técnicas;
- Serviços necessários à produção e à operação do evento.
A mudança permitiu reduzir o tempo de montagem das equipas, evitar cablagem duplicada e diminuir significativamente o ruído visual no recinto.
Os parceiros técnicos reconheceram claramente esta evolução.
Para muitos visitantes e utilizadores, contudo, a melhoria passou despercebida. Essa invisibilidade é também um indicador de sucesso: a tecnologia funciona sem interferir com a experiência do evento.
De muitas solicitações para queixas de conectividade residuais
Na primeira edição, André recebeu um número elevado de pedidos e reclamações.
Muitas situações estavam relacionadas com utilização, configuração dos equipamentos e adaptação dos utilizadores à dimensão e dinâmica do evento.
Com a evolução do planeamento, da infraestrutura e da coordenação entre as entidades, as queixas diretamente relacionadas com conectividade tornaram-se residuais.
Quando existem ocorrências, estão normalmente associadas a falhas de energia localizadas e não à capacidade ou ao dimensionamento da rede.
A estabilidade das ligações destinadas à imprensa assume uma importância especial.
Jornalistas, fotógrafos e equipas de comunicação são responsáveis por transmitir para o exterior a imagem do torneio. A tecnologia não pode tornar-se um obstáculo ao trabalho destas equipas.
O reduzido número de reclamações e o reconhecimento dos parceiros são, por isso, dois dos principais indicadores utilizados para avaliar o sucesso da operação tecnológica.
Uma aplicação criada durante o próprio torneio
Na edição de 2026, André identificou uma oportunidade de melhoria no Players Restaurant.
Até então, o registo e o controlo de acessos eram realizados através de folhas impressas e preenchimento manual.
O processo dificultava a consulta da informação, aumentava a possibilidade de erro e tornava mais demorado o controlo de jogadores, equipas, convidados e participantes pagantes.
Durante o próprio torneio, André desenvolveu uma aplicação digital com recurso a desenvolvimento assistido por inteligência artificial.
A solução passou a permitir:
- Importação diária das pessoas autorizadas;
- Registo dos convidados dos jogadores;
- Pesquisa rápida por nome;
- Realização do check-in;
- Adição de acompanhantes;
- Inclusão de participantes pagantes;
- Controlo separado por almoço e jantar;
- Consulta de dados por dia ou por refeição;
- Exportação de relatórios diários;
- Produção de um relatório final.
Como a aplicação foi desenvolvida já durante o evento, a leitura direta do badge não foi incluída na primeira versão. Esta funcionalidade encontra-se prevista para uma evolução futura.
A solução foi utilizada para controlar 417 refeições ao longo de cinco dias, correspondentes a cinco almoços e três jantares.
A implementação reduziu o erro, melhorou o controlo da operação e diminuiu o tempo necessário para realizar cada check-in.
A responsável da organização pela área dos jogadores agradeceu a implementação e solicitou que a aplicação volte a ser utilizada nas próximas edições.
Experiência em eventos de dimensão mundial
O Millennium Estoril Open representou o início de uma trajetória dedicada à aplicação da tecnologia em eventos.
Ao longo dos anos, André participou também noutros projetos de elevada complexidade, consolidando competências de coordenação, implementação e suporte em ambientes críticos.
Um dos principais marcos aconteceu em 2022, durante a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, realizada em Lisboa.
André foi responsável pelo IT local e coordenou uma equipa de 15 elementos.
A operação envolveu 22 dias de montagem, a implementação de mais de 400 equipamentos, sistemas de acreditação e suporte onsite a um evento de dimensão mundial.
Pelo trabalho desenvolvido, recebeu um Certificate of Appreciation das Nações Unidas, em reconhecimento pelo excelente desempenho no apoio à Conferência dos Oceanos de 2022.
Esta experiência reforçou as suas competências de coordenação de equipas e implementação de soluções tecnológicas em contextos internacionais de elevada exigência.
Da experiência no terreno à criação da Do IT Happen
Durante vários anos, André trabalhou em projetos nos quais a relação inicial com o cliente era conduzida por equipas comerciais.
Muitas vezes, as necessidades reais só se tornavam evidentes durante as montagens ou já no próprio recinto, obrigando a adaptar no terreno soluções previamente definidas.
A vontade de participar diretamente na identificação do problema, na decisão e na implementação da solução foi determinante para a criação de um projeto próprio.
Em março de 2026, André fundou a Do IT Happen.
A empresa começou com o desenvolvimento de uma solução digital à medida e evoluiu para duas áreas principais:
- EventsApp, dedicada a formulários, inscrições, comunicações, check-in, acreditação e gestão tecnológica de eventos;
- Do IT Translate, uma plataforma de tradução assistida por inteligência artificial.
Desde a edição de 2026, a responsabilidade pela operação tecnológica do Millennium Estoril Open é assegurada oficialmente através da Do IT Happen.
A empresa representa o resultado da experiência acumulada no terreno e da vontade de criar soluções orientadas para as dores reais dos eventos.
Uma trajetória construída através da confiança
O que começou em 2015 como três dias de suporte técnico transformou-se numa responsabilidade contínua ao longo de todas as edições realizadas do Millennium Estoril Open.
Durante este percurso, André Paiva passou de técnico de suporte a ponto central de planeamento e coordenação tecnológica de um torneio ATP 250.
O Millennium Estoril Open deu-lhe a oportunidade de acreditar nas suas capacidades, assumir responsabilidades cada vez maiores e desenvolver uma visão própria sobre a tecnologia aplicada aos eventos.
Essa visão esteve na origem da Do IT Happen.
Hoje, a empresa transforma a experiência adquirida no terreno em soluções próprias, contacto direto com os clientes e capacidade para identificar, prevenir e resolver os desafios operacionais de cada evento.
“A Do IT Happen é daquele miúdo que um dia foi para o Millennium Estoril Open ajudar a configurar algumas impressoras e apoiar a acreditação durante três dias.”
Testemunho
“O André Paiva e a DO IT HAPPEN acompanham o Millennium Estoril Open há 11 anos, sempre com profissionalismo, dedicação e capacidade de resposta. Uma equipa de confiança, atenta ao detalhe e capaz de encontrar soluções num evento exigente como o nosso.”
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